Formação Docente em Serviço: um Espaço de Disputas e Resistencias

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47764/e20011023

Palavras-chave:

Formação docente, Base Nacional Comum Curricular, Educação integral, Paulo Freire

Resumo

Para a implementação da Base Nacional Comum Curricular-BNCC, um município da Grande São Paulo tem realizado formações em serviço visando à adequação de currículos e práticas de ensino. Considerando o caráter tecnicista e regulatório da BNCC, analisamos os planos de formação docente de oito escolas públicas de período integral localizadas nesse município, com o objetivo de verificar se, no bojo dessa política regulatória, há espaço para uma contrarregulação, mantendo os fundamentos da educação integral. A epistemologia do ciclo de políticas assumida no percurso metodológico desta investigação assevera que, no contexto da prática, as políticas não são simplesmente implementadas. Com análises fundamentadas em Freire, concluímos que a formação em serviço é um espaço de disputas e resistências e as equipes escolares, apesar de estarem submetidas às diretrizes impostas, podem assumir princípios éticos e democráticos, com pressupostos epistemológicos humanistas e emancipatórios.

Biografia do Autor

Elisabete Ferreira Esteves Campos, Universidade Metodista de São Paulo

Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo-USP. Docente e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação da Universidade Metodista de São Paulo. Líder do Grupo de Pesquisa “Políticas de Gestão Educacional e de Formação dos Profissionais de Educação” e do Grupo de Estudos Paulo Freire (UMESP).

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Publicado

2021-03-31

Como Citar

Campos, E. F. E. (2021). Formação Docente em Serviço: um Espaço de Disputas e Resistencias . Revista Internacional Educon, 2(1), e20011023. https://doi.org/10.47764/e20011023

Edição

Seção

Artigos