O Negacionismo: uma Crise Social da Relação com a “Verdade” na Sociedade Contemporânea
DOI:
https://doi.org/10.47764/21023004Palabras clave:
Resumen
Este artigo tem como objetivo esclarecer o conceito de negacionismo e o contexto socioepistemológico em que esse fenômeno está se produzindo. A noção de pós-verdade não passa de uma primeira abordagem do negacionismo e a análise epistemológica não é suficiente para entender o fenômeno. O negacionismo pode até procurar argumentos na epistemologia contemporânea da ciência. O artigo propõe analisar o negacionismo a partir da teoria da relação com o saber de Charlot. Com base nessa teoria, o artigo interpreta o negacionismo como uma crise social da relação com a verdade. Essa crise decorre de um acúmulo de problemas ecológicos e sanitários ligados à ciência e de uma politização das questões de saúde. Algumas vezes, essa crise induz tentativas de reapropriação cidadã dessas questões, contra os "especialistas". Outras vezes, ela leva ao negacionismo, que se enraiza numa convicção que não se importa com a verdade da fala, mas com uma identidade de grupo. Desconfiando da Ciência, recusando o debate, construindo inimigos míticos, o negacionismo desvaloriza a educação e o pensamento crítico e, logo, é fundamentalmente antidemocrático. Ele é a forma epistemológica da barbárie contemporânea.
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